:. Um Pouco de História: Evolução do PC e Upgrade

 Por ítalo Valério e Carlos E. Morimoto
 http://www.guiadohardware.net
 Janeiro de 2001

> Dica de hoje:
>
> - A origem do PC
>
> Atualmente, um XT não tem valor de mercado, é possível encontrar XTs
> funcionando à venda até por 50 reais, afinal, em plena era dos Games 3D
> é complicado encontrar utilidade prática para um equipamento tão
> obsoleto. De qualquer forma, o XTzão já teve seus dias de glória.

Gostei. Inclusive acho que a história do PC poderia ser recontada, numa espécie de retrospectiva do milênio, que acha?. Mais detalhes sobre as configurações de video por exemplo, o momento em que acordaram para a necessidade da multimídia onde praticamente o PC foi o ultimo a adotar circuitos pra isso.

Falando em XT lembro-me da época em que estava na Marinha, isso foi em 88. Lá tinha 5 XTs, a maioria turbo 8MHz, onde somente eu, um marinheiro, um cabo e um oficial podiam fazer coisas além da digitação.

Naquela época tanto quanto hoje, não existiam usuários, eram candidatos a usuários onde uma simples saída para o DOS virava motivo de chamar a "cavalaria" :). Interessante notar que a Base fazia vir um técnico do Rio para cá para que se pudesse fazer manutenção. Conhecedor de hard era coisa rara.

Meu amigo, o Edson, aprendia "na porrada". Certo dia saiu listando o diretório e foi digitando tudo que era .EXE e .COM pra ver o que era, olhava e saía, até chegar a um tal de FORMAT.COM e quando viu a mensagem "formatando trilha 0, 1, 2, 3..." tentou sair e desesperadamente me chamou :))), quase foi preso quando o tenente soube :))). O HD era de 40MB e tínhamos cerca de 50 disquetes 5 1/4 360KB, passamos a tarde inteira pra colocar tudo de volta.

Era um bom micro pra banco de dados, lembro-me bem. Tomávamos conta de milhares de itens em estoque de alimentos e escritório, a resposta vinha em fração de segundos, pode crer. Era usado um soft em Dbase-III compilado por clipper. A demora acontecia quando íamos reindexar o banco de dados.

Em outro prédio da base ficava um outro XT só que sem HD, apenas 2 drives 360KB (0,36 MB, só pra imaginar). Para usar Dbase III era terrível, a todo tempo era solicitado um disco com a linguagem. Realmente o PC não nascera pra economizar memória. PC usável só com HD desde os primórdios.

Pra passar o tempo, um jogo muito legal era o Test Drive. Você escolhia o carro comparando as tabelas técnicas, tinha boa jogabilidade mas tinha o inconveniente de usar só as 4 cores máximas do PC na época, se bem que não era grande problema pois o monitor era verde mesmo. A visão era 3D, você se via dentro do carro mas sem configurações de câmera. Não tinha trilha sonora, limitávamos a ouvir o barulho do carro através do speaker. Quando tinha trilha sonora eram variações de beeps que faziam a melodia.

Ambiente gráfico não, mas surgiu nessa época um soft muito famoso usado até hoje por muitos, claro que em versões atualizadas, era o Banner, faixas pra ontem, a demora ficava por conta da impressora. A qualidade final era boa, sem aqueles pixels enormes.

Curioso notar também que praticamente não existia softs para edição gráfica, muito menos color. Mas um soft fazia muito sucesso, era o Super Print se não me engano, você fazia passo a passo montando a página até imprimir, as opções de letras eram poucas, umas 8 mas você podia fazer variações de tamanho e estilo, alguns desenhos prontos que você mudava
posição e tamanho, no entanto sem uso de vetor, se ampliasse muito já viu, de perto eram tijolos formando a figura.

Um dia cheguei pro Sr. Imediato da base solicitando os super rápidos 286, sabe o que ele disse?, "Dá pra continuar usando por um tempo esses que temos?" respondi que sim, afinal dos 40MB acho que tínhamos mais de 15MB livres e a velocidade de consultas não comprometia o tempo, a conclusão foi clara, "Daqui a aprox. 5 anos compramos esses 286 que de qualquer forma estarão mais rápidos que o nosso e daí economizamos mais de 50%
no custo final". Ele falou 5 anos mas creio que ele pôde realizar este objetivo antes. Eu saí da base e esse Imediato foi para outro estado.

Bom, a loucura que se seguiu a partir dessa época em torno do troca-troca de máquina, os famosos upgrades e etc. nos seguem até hoje, o que prova que o computador é um produto inacabado e também sabemos que na verdade isso é uma jogada das indústrias. Pra quê sair do 500 para o 550 se já tem o 1GB?, com isso ficam lançando merrecas pra encher lingüiça mantendo os preços nas alturas. Fazer o quê?, ser mais esperto que eles! Estudando o que você precisa de fato e qual configuração alcança os objetivos.

Feliz Milênio novo!!!!!
Caramba, acabei escrevendo um artigo :)))))

ítalo Valeiro Pereira Gomes

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Fala ítalo

Quando você falou no PC ser utilizável apenas com HD lembrei do XT que eu tive, com dois drives de disquete e sem HD também, era realmente uma tortura ficar trocando os disquetes toda hora :-)

Mas sobre o upgrade, você tocou num ponto interessante. Os roadmaps de lançamento dos produtos segue um cronograma que visa maximizar os lucros dos fabricantes, é por isso que os novos processadores são sempre 33 ou 50 Mhz mais rápidos que os anteriores, por isso que existem tantas variações dos mesmos modelos de placas de vídeo. Veja a família TnT da Nvidia por exemplo. Isto obriga os usuários a fazer upgrades mais freqüentes e encher o bolso dos fabricantes.

Porém, no meio deste furação de lançamentos, aparecem verdadeiras barbadas. Por exemplo, a uns dois anos atrás a barbada era o Celeron 300, que overclocavam para 450 MHz. Um processadorzinho de 100 dólares, que tinha um desempenho próximo do de um Pentium II 450, o topo de linha da época que custava umas 4 vezes mais. A próxima barbada foi o Celeron 366 @ 550, aliás o que eu estou usando neste micro. Comprei por 70 dólares de um amigo que fez um "upgrade" para um Pentium III 550 :-).

Hoje em dia temos os Celerons 566 @ 850, os Durons 700 @ 950, etc. todos processadores baratos, mas que em overclock superam processadores bem mais caros.

Outro ponto interessante é que hoje não temos tanta necessidade de fazer upgrades freqüentes, quanto tínhamos na época do 486 por exemplo. A uns 5 anos atrás, um 486 DX 33 com 8 de memória RAM (uma configuração razoável para a época) era simplesmente ridículo rodando o Windows 95, era contra-produtivo. Quem tinha um e queria o Win 95 rezava todo dia à noite pra conseguir juntar dinheiro pra atualizar a carroça.

Hoje em dia uma configuração "razoável", um 233 MMX com 64 MB de RAM por exemplo já é suficiente para a maioria das aplicações que temos. Se o usuário usar o micro apenas para Office e Internet, ainda dá para utilizar o micro por mais um, até dois anos.

Daqui a um ano, o upgrade poderia ser para um Duron de 800 Mhz, que na época vai estar custando uns 70 dólares. Junto com uma placa mãe razoável, 256 MB de RAM e um HD de uns 30 ou 50 GB, que serão os padrões daqui a um ano, o novo micro não vai custar mais do que uns 350 dólares, aproveitando o disquete, CD-ROM, placa de som e modem (se ainda for usar isso daqui a um ano :-) e monitor do 233 MMX.

Aliás, os Durons de 800 que estarão vendendo daqui a um ano já utilizarão o core novo, o Morgan, semelhante ao do Athlon Palomino e filamentos de cobre. Com isso, provavelmente eles suportarão overclock para 1.2 GHz ou quem sabe até mais.

Como você disse, o jeito é ser mais esperto que os fabricantes. Ser esperto na hora de gastar e aproveitar as barbadas que aparecem :-)

Abraços,
Carlos E. Morimoto