:. Dicas para trabalhar com manutenção

 Por Carlos E. Morimoto
 http://www.guiadohardware.net
 18/05/2001


"Essa semana voltei a me deparar com uma situação intrigante sob o ponto de vista do valor de um serviço na área de informática. Diferentemente de algumas áreas de serviços, a área de informática guarda muitas incógnitas a respeito de cada caso, quase como um carro.
Em um carro você tem o técnico de freio, o de motor, o de lataria e cada um tem seu preço, se você tem problemas em todas essas partes você paga pela soma desses serviços. Na informática embora as profissões envolvidas muitas vezes se confundam (técnico em hard, técnico em soft, técnico em rede) temos varias coisas pra se fazer dependendo do caso.
Não concordo que o valor seja o mesmo pra quem resolve uma instalação de um soft e pra quem resolve uma serie de "pepinos", comendo até dias de pesquisa do problema.
De qualquer forma, existe uma tabela ou regra a seguir na cobrança de servidos? Afinal, quando você resolve um problema que outros profissionais não resolveram, o valor fica sem variar? Um notebook e um PC de mesa recebem o mesmo custo de serviço, embora o notebook seja 3X mais caro?"

Fala ítalo, acho que o preço é uma questão muito pessoal, vai do seu perfil e cliente e do quanto você se acha qualificado. Eu creio que 50 reais pelo conserto um desktop ou 100 num notebook, mais o valor das peças que eventualmente precisem ser trocas seja um bom valor.

Claro que existem exceções: se aparecer um micro onde o mouse não está funcionando e você descobrir que é só o cabo da porta serial solto por exemplo, você deveria cobrar um valor mais baixo, ou mesmo não cobrar nada, dependendo do cliente.

Tarefas simples, como por exemplo adicionar mais memória RAM, reinstalar o Windows, etc, podem ter preços diferentes também. O mesmo pode ser considerado caso você tenha que atender a domicílio, claro que o trabalho de se deslocar para o outro lado da cidade com um monte de ferramentas e ainda ter que resolver o pepino na hora valha uma pouco mais não é mesmo? :-)

Eu não concordo muito com a cobrança por hora, pois eu acredito que o tempo em se encontrar o defeito, depende da sua capacidade técnica, se você "apanha" para achar um defeito, não é justo cobrar mais do cliente pela pesquisa das informações, que como técnico você já deveria conhecer não é mesmo?

Por exemplo, geralmente quem começa a trabalhar com manutenção, acaba perdendo muito tempo nos primeiros consertos, algumas vezes dias, mas com o passar do tempo vai se adquirindo mais experiência e os consertos começam a ficar mais rápidos. Se você perde menos tempo para arrumar cada micro, tem a possibilidade de dar manutenção em mais máquinas e os ganhos crescem na mesma proporção.

Conforme a demanda, você pode estudar a possibilidade de contratar um assistente, para cuidar das tarefas mais simples, como por exemplo instalar o Windows, limpeza de gabinetes e impressoras, enfim, tarefas relativamente simples, mas que tomam bastante tempo. Você teria duas opções: ou contratar alguém já com uma certa experiência e pagar um salário digno, ou então contratar alguém que esteja começando e oferecer um salário menor, em troca de aprendizado.

O que você deve procurar é não perder muito tempo tentando consertar micros que tem componentes defeituosos. Por exemplo, não é só por que o micro liga que a placa mãe está OK, nem só por que é reconhecido no Setup que o HD pode ser usado. Se pegar um PC com uma placa mãe com os contatos oxidados ou com mal contatos, ou com um HD cheio de bad-blocks, não tenha medo de explicar o problema ao cliente, e recomendar as trocas necessárias. Caso contrário você vai perder dias reinstalando o Windows só para o cliente voltar depois queixando-se do mesmo defeito.

Não tenha medo de parecer um trocador de placas, se for necessário trocar algum componente com defeito, indique a troca. Não faça gambiarras a menos que o PC seja seu. Se o cliente preferir levar o PC para outra pessoa, paciência, mas trabalhe direito, realmente resolva os problemas.

Geralmente, trabalhar em um local fixo, numa loja, ou mesmo em casa, é mais simples do que atender a domicílio, pois é mais fácil manter à mão todo o material de que precisa e ao mesmo tempo você terá mais tranqüilidade para trabalhar.

Porém, ao mesmo tempo você terá uma clientela mais restrita, pois muitos clientes, talvez a maioria, preferem pagar mais por alguém que atenda a domicílio. Tem também a parcela dos desconfiados, que vão querer acompanhar cada movimento seu :-)

Para atender à domicílio é indispensável manter uma boa maleta de ferramentas. Não seja um técnico chave-de-fenda, que aparece para "arrumar o micro" portando apenas o referido instrumento... Mantenha na mala além de um bom conjunto de ferramentas (não apenas chaves de fenda, mas chaves hexagonais, pinças, multímetro, alicates e outros instrumentos que possa precisar), além de softwares de diagnóstico, uma boa coleção de drivers, livros ou outro tipo de documentação que possa precisar, etc.

Se possível, eu recomendaria ainda manter um notebook com modem. Não precisa ser nenhum Pentium III, um 486 rodando o Windows 95 vai servir muito bem, afinal você não o usará para assistir filmes ou ver animações em flash, mas sim para baixar drivers ou programas e procurar informações que sejam necessárias. Existem alguns notebooks 486 bastante compactos e hoje em dia é possível adquirir um com menos de 800 reais.

Invista pelo menos duas horas por dia em estudo, isso é essencial para qualquer um que tenha o desejo de ser minimamente qualificado. Pense que um cirurgião tem que estudar 12 anos para poder exercer a profissão. Não existe nenhum curso superior obrigatório para técnicos, nem é preciso defender tese, mas existem os livros e a Internet.

Finalmente, esforce-se por sempre deixar os clientes satisfeitos, pois eles serão sempre a melhor propaganda. Problemas com o micro quase todo mundo tem, e as pessoas que conseguem resolve-los sozinhos são uma minoria. O restante está procurando um técnico de confiança, que pode ser você.