:. Microsoft: "O Linux é um câncer" (não seria o contrário??)

 Por Carlos E. Morimoto
 http://www.guiadohardware.net
 06/06/2001


Este artigo reúne algumas respostas à crítica feita pelo CEO da Microsoft, Steve Ballmer ao software livre, que causou indignação em muita gente. Boa leitura :-)


:. Carlos E. Morimoto

Mais uma declaração polêmica do atual CEO da Microsoft, Steve Ballmer: "O Linux é um câncer que se apodera de tudo o que toca" ("Linux is a cancer that attaches itself in an intellectual property sense to everything it touches,"), dita durante uma entrevista ao Chicago Sun-Times.

A idéia defendida por ele é que a licença GPL é uma ameaça à propriedade intelectual, já que exige que todo software desenvolvido tomando como base outro software open source terá também ter seu código aberto, ou seja, você não teria como proteger o trabalho feito.

Na minha opinião a declaração é no mínimo insensata, se você utiliza o trabalho de outra pessoa, deve seguir as condições impostas por ela. Simplesmente copiar o trabalho de outro é considerado crime em todos os países que conheço. No caso da licença GPL, que rege a o sistema Linux e a maior parte dos softwares para ele, as condições são justamente estas, você pode usar qualquer software open-source, alterá-lo, usar o trabalho já feito para desenvolver seu próprio programa, mas, em troca, ao invés de pagar royalties, licenças, etc. o programa que desenvolver também terá de ser open source. Veja que isto é apenas uma opção, se você quiser desenvolver um software comercial para Linux, tem todo o direito, porém terá de partir do zero, não poderá se aproveitar do trabalho realizado por outros para ganhar dinheiro.

Deve ser realmente aterrorizante para ele ver que softwares livres vem ganhando cada vez mais espaço, sendo muitas vezes financiados, ou apoiados pelo próprio poder público. Uma ameaça que eles temem (e com toda a razão) não poder controlar.

Vejam o caso da IBM por exemplo. Em 81 ela criou a plataforma PC, manteve-se na liderança do mercado durante alguns anos, mas, em 86 a Compaq (na época uma compania menor e mais ágil) tomou a liderança, sendo a primeira a lançar um PC 386. Apartir daí a IBM passou a ser apenas mais uma fabricante de PCs.

O mesmo vai acontecer com a Microsoft, mais cedo ou mais tarde. Com o mercado cada vez mais competitivo, em todas as áreas, as empresas começarão cada vez mais a desenvolver soluções próprias ao invés de usar softwares empacotados, que se adaptarão cada vez menos às particularidades de cada negócio. O modelo de software fechado, terá cada vez mais dificuldades em se adaptar, pois, por mais cara que seja a solução, um fabricante sozinho tem dificuldades em realizar alterações e personalizações nos softwares em tempo hábil. O modelo open-source por sua vez permitirá que as companias tomem por base softwares já existentes, contratem programadores para fazer as alterações necessárias rapidamente, e façam novas modificações sempre que for necessário.

O software resultante, também deverá ser open source, mas isso não será um problema, os softwares usados numa empresa não servirão para outras de qualquer maneira. Uma ferramenta perfeitamente adaptada ao negócio trará vantagens competitivas enormes.

Outro fenômeno é que a procura por bons programadores crescerá. Com as empresas desenvolvendo soluções próprias, a procura por consultorias e empresas fornecedoras de soluções crescerá assustadoramente na próxima década, vai gerar um mercado de trabalho fantástico, o contrário do que temos visto nos últimos anos.

Recentemente conversei com um amigo, que disse estar deixando a área de programação para trabalhar com manutenção de micros, dizendo que as empresas estavam cada vez mais adotando programas como o Access, e deixando de desenvolver softwares próprios, com isto havia cada vez menos espaço para trabalhar.

Veja só, o modelo open-source não tira empregos, pelo contrários, ter um software personalizado sempre será uma enorme vantagem competitiva, até mesmo financeiramente. O crescimento do uso de softwares livres, que podem ser alterados e personalizados a gosto, criará cada vez mais postos de trabalho, enquanto que uma única compania que tenha o monopólio contrata alguns milhares de programadores, desenvolve sua solução, tira alguns milhões de cópias, e só.

Dentro de 3 anos (talvez antes), a Microsoft começará a passar por graves problemas financeiros, as ações cairão, perderão funcionários importantes (pois na Microsoft boa parte da remuneração aos funcionários é feita na forma de ações, se as ações caem...) e começarão a ter dificuldades em contratar profissionais altamente qualificados. A participação do Windows e Office no mercado começará a cair e será cada vez mais difícil para eles vender os upgrades anuais. Dentro de 10 anos, a Microsoft será apenas mais uma empresa de desenvolvimento de software, talvez até adotem o modelo open-source no final das contas, dependendo dos rumos que tomar o mercado. Nenhum monopólio é eterno.

Ironicamente, a mesma IBM, que uma década e meia atrás deixou que a Compaq tomasse a dianteira, foi uma das primeiras a perceber este raciocínio tão simples, e está investindo numa campanha mundial de popularização do Linux. Não é por caridade ou simpatia, simplesmente por que querem ter mercado para oferecer suas soluções. é uma estratégia que abrirá caminho para muitas outras companias conquistarem seu espaço, até mesmo você, quem pode prever o futuro não é mesmo?


:. Ademar de Souza Reis Jr.
http://www.ademar.org

Legal! Um bom texto, com previsões interessantes (das quais compartilho).

E aproveitando o embalo da conversa, vou colar algumas citações minhas em uma msg sobre o assunto (fique à vontade em utilizar se quiser)

Pensem no que deve estar passando pela cabeça de um executivo da "Micosoft" diante das seguintes questões:

1. O que mudou do win95 (lançado a 5 anos) pro Windows ME?

Eu por exemplo tenho um win95 instalado em casa. Atualizei o IE e o DirectX... Posso dizer com toda certeza que não preciso do Windows ME ou do XP. E a maioria não precisa também, pode ter certeza!

Mas o que a M$ diz pra você? Bem... 500 milhões de dólares dizem alguma coisa?
(esse é o orçamento de marketing do Win XP!)

2. O que surgiu no mundo do Free Software nos últimos 5 anos?

Bem... o primeiro linux que eu instalei (Conectiva 1.0), a 3 anos atrás, era muito, mas muito, mas muito diferente mesmo do que é hoje. Vejam o KDE por exemplo: em menos de três anos ele saltou de 0.9 pra 2.1, com subprojetos como o Konqueror e o KOffice.

3. Você precisa de algo melhor que o MS Office 97? Uma empresa precisa?

Bem... segundo a Micosoft, você precisa do Office XP pois a função "autotexto", conhecida por nós desde os primórdios do Word 6.0 (talvez antes, não sei) que antes era acessível via F2, agora está embutida em uma janelinha, ao alcance do mouse (vocês devem ter visto a propaganda na TV).

4. O StarOffice é uma porcaria?

Eu também acho, mas ele está em pleno desenvolvimento, ainda é bastante imaturo... Foi criado por uma pequena empresa alemã (foi comprado pela Sun ano passado, que liberou o código sob GPL), e uma nova versão sai semestre que vem. Isso sem contar que existem várias alternativas pra ele, como o KOffice, que
promete muito.

Agora vejamos a posição de algumas empresas:

Borland
- Kylix (Delphi pra Linux) e tantas outras ferramentas de
desenvolvimento

IBM
- 1 bilhão de dólares em investimentos nesse ano, com direito a propaganda do LINUX na mídia (confira InfoExame do mês passado)

Sun
- Gnome e StarOffice (agora open office)

Oracle
- Participando ativamente no desenvolvimento do kernel pra otimizar pra Oracle, etc.

Dell, HP, Compaq e IBM
- Todas tem servidores com linux à venda e estão dando apoio ao desenvolvimento, com hardware e projetos diversos.

Intel
- Porte do linux pro IA64 (Itanium) a todo vapor

M$
- Lutando (sozinha) contra o linux e o software livre.

Realmente... um câncer.

[]'s
- Ademar
I use Linux!!! I have a host, not a MyComputer.

^[:wq!


:. Nicolas Frenay

Meus pensamentos sobre a Microsoft X Linux + Intel X AMD:

O mundo da informática está sofrendo uma revolução.

Facilmente os nomes "Microsoft" e "Intel" lembram à grande maioria de usuários de PC grandeza, facilidade, e principalmente superioridade, o que de fato pode ser até considerado... para o passado.

Isso não quer dizer que essas duas grandes marcas, respeitadas mundialmente, são ruins. Na verdade são os líderes de mercado, os pioneiros, mas que agora estão sofrendo na mão dos concorrentes, que antes pareciam inofensivos, mas que agora estão cada vez "maiores".

Tomando o exemplo da Microsoft X Linux. O Linux sempre foi um bom sistema operacional, mas faltavam software e compatibilidade, faltava a facilidade de um bom GUI (interface gráfica). Mas agora ele está cada vez melhor e mais prático. Além de seu superior desempenho comparado ao concorrente Microsoft Windows ele agora finalmente tem bons GUIs e também softwares que trazem a facilidade de formato compatível com PC (Softwares que aceitam o formato do MS Office por exemplo).

Além de seu maior desempenho, o Linux é gratuito. O quê? Um bom Sistema Operacional além de tudo gratuito? é o grande motivo por qual muitas grandes empresas estão optando por utilizar o Linux em seu computadores. A Microsoft afirmou em uma revista que o Linux é um câncer... Será medo?

E as fabricantes de processadores Intel e AMD? Há alguns anos atrás todos riam da AMD. Ninguém queria ter um AMD. Só dava problema e tinha incompatibilidades, como todos diziam. Era puro preconceito contra o fabricante de processadores de PC que hoje assusta a Intel e muito, sendo que algumas pesquisas em sites de internet mostram que mais de 60% dos processadores no mercado hoje são AMD. é... Quem diria?!? AMDs se mostram mais rápidos e mais baratos. No atual momento (05/06/2001) o único problema que eu vejo nos AMDs (pessoalmente) é o calor produzido por esses processadores, porém o "Palomino" promete "corrigir" este defeito, além de inúmeras outras melhorias.

Esta é a minha opinião. Se você acha ainda que a Microsoft e a Intel são os únicos fabricantes que são "bons" aí é problema seu!