:. Será que o Open Office vai realmente substituir o MS Office?

 Por Carlos E. Morimoto
 http://www.guiadohardware.net
 09/08/2002


A coluna deste mês do John C. Dvorak na PC Magazine Americana trouxe vários comentários extremamente otimistas sobre o futuro do OpenOffice, chegando a dizer que a "a única estratégia eficiente que vejo para a Microsoft é ir para o ataque e passar a distribuir o Office gratuitamente":
http://www.pcmag.com/article2/0,4149,427069,00.asp

Bem, para mim não resta dúvidas que o OpenOffice vai continuar causando muita dor de cabeça para o Microsoft, servindo cada vez mais como uma opção viável ao Office, mas não creio que a médio prazo ele tenha condições de realmente substituir o Office na maioria dos PCs, muito menos obrigar a Microsoft a distribuir o Office de graça.

Eu uso o StarOffice desde a versão 5.1 e a partir do 5.2 bani definitivamente o Office dos meus PCs. Atualmente estou me decidindo entre migrar para o Star Office 6.0 ou para o OpenOffice. As duas suítes são essencialmente iguais, até mesmo o corretor ortográfico para Português do Brasil no Open Office já está disponível, graças aos esforços do Ricardo Ueda no br.ispell. O dicionário ainda não faz parte do pacote, mas você pode instala-lo seguindo as instruções disponíveis no http://www.openoffice.org.br/lang_ver.php. O StarOffice possui alguns extras, como o suporte a mais formatos de arquivos, o banco de dados Adabas e mais fontes pré instaladas. Estou decidindo se estes recursos valem os setenta dólares que custa o pacote :-).

A suíte oferece a maior parte dos recursos disponíveis no Office, o corretor ortográfico é muito bom, temos um programa de desenho vetorial incluído que quebra um galho para quem não tem ou não sabe usar o Corel e assim por diante. Tem tudo o que você precisa para trabalhar, mas ainda existem alguns problemas:

O suporte aos arquivos do Office é limitado. Além dos macros, muitos recursos de formatação avançados são perdidos.

O visual é muito feio! :-) E isso não tem uma solução fácil, pois exigiria a troca a biblioteca gráfica usada.

Os menus são confusos, o que exige um certo esforço de adaptação para quem vem do Office. Também não é tão intuitivo quanto ele.

Como o OpenOffice não se integra ao Windows, o tempo de carregamento dos aplicativos é maior e o desempenho geral é inferior ao do Office. Isso claro, também tem um ponto positivo, afinal, a instalação não vai substituir metade das Dlls do sistema, tornar a inicialização do sistema mais lenta nem fazer meia dúzia de programas deixarem de funcionar...

O conversor para HTML não funciona tão bem como o do Office. Claro, também existem vários pontos positivos:

Ele trava menos que o Office (em mais de um ano vi ele travar duas ou três vezes, enquanto o Office 97 travava em média duas vezes por dia...)

Não custa quase um mês de salário...

O uso não dá direito de um fiscal da ABES vir revirar os micros da sua empresa, nem exigir que você audite as licenças de uso sempre que der na telha...

Roda tanto no Windows quanto no Linux (apesar do Office também rodar, com a ajuda do Cross-mover Office)

O formato do arquivo das novas versões não é incompatível com as versões anteriores...

O OpenOffice funciona muito bem, mas as deficiências ainda impedem que a maior parte dos usuários migre para ele, até por que entre os usuários domésticos (sobretudo nos países de terceiro mundo) a pirataria anula o problema do custo. O Office continua sendo a suíte de escritório default e a tendência é que a massa de usuários use o que todo mundo usa.

O uso do OpenOffice vai crescer mais rápido entre as empresas, fazendo com que parte dos usuários também acabe usando-o em casa, mas não vai ser uma mudança tão rápida assim. Além disso, enquanto tiver um produto melhor, a Microsoft terá a chance de baixar os preços das licenças do Office, para digamos 100 ou 200 dólares, o que colocaria o Office novamente numa faixa de preços competitiva.

De qualquer forma, um concorrente forte obrigará a Microsoft a repensar muitas das suas ações, o que em última análise será benéfico para os usuários como um todo. Além do OpenOffice, a Microsoft está enfrentando concorrentes fortes em praticamente todas as áreas. O Mozilla oferece compatibilidade quase total com todas as páginas, é mais rápido e oferece recursos inexistentes no IE, como o suporte a tabs, temas e opção de bloquear janelas pop-up. E claro, está disponível para várias plataformas, incluindo Windows e Linux:

Nos servidores o IIS continua perdendo espaço para o Apache e cada vez mais fabricantes de handhelds demonstram protótipos de produtos rodando o Linux. A partir do ano que vem teremos uma enxurrada de lançamentos neste ramo.

A Microsoft não está conseguindo fazer alianças importantes em torno do .Net. De fato, quase todas as empresas estão aderindo a alternativas baseadas no Java, enquanto a Microsoft está sozinha. Isso reduz radicalmente as chances de sucesso do .Net.

Mesmos nos desktops a Microsoft está perdendo terreno para o Linux, devido principalmente ao aperfeiçoamento do KDE. Ele está incluindo tantas funções que em breve um usuário iniciante não vai precisar lidar com nada além dele ao utilizar o Linux, até mesmo para a configuração do Hardware. O restante do sistema vai ser quase como o DOS no Windows 95, que só quem realmente queria precisava utilizar... O Linux vai continuar sendo um sistema complexo, mas os usuários terão a chance de esquecer de tudo isso e ficar apenas no KDE.

Eu honestamente não acredito que o OpenOffice sozinho tenha chances de derrubar o Office num futuro próximo, mas a soma de todas estas pressões vai reduzir bastante a influência da Microsoft, e obriga-la a tornar-se mais aberta e mais interessada em atender às necessidades dos usuários ao invés de simplesmente manter suas margens de lucro.