:. Pentium 4 Northwood x Athlon XP

 Por Carlos E. Morimoto
 http://www.guiadohardware.net
 13.12.2001


Depois da notícia de ontem, cabe mais uma pequena análise de como ficará o mercado de processadores daqui pra frente.

Apesar do projeto do processador continuar sendo o mesmo, com os longos estágios de pipeline, o cache L1 rápido mas pequeno, o coprocessador fraco e a dependência de otimização dos programas para que o processador possa mostrar todo o seu potencial, o Pentium 4 Northwood vai ter um desempenho superior ao do Pentium 4 atual através da combinação de um cache L2 maior, de 512 KB e do uso de bus de 533 MHz (4x 133), contra os 400 MHz dos atuais. Apartir do i845D, tudo indica que os chipsets para a plataforma também vão melhorar, com o uso de memórias DDR (talvez dual DDR num futuro próximo).

Além disso, a inflação da frequência de operação do processador vai continuar, com versões de 2.2 a 3.0 GHz durante 2002. Some a isto todos os investimentos que a Intel vem fazendo para que os desenvolvedores passem a otimizar os programas para a plataforma e verá que o Pentium 4 pode desta vez finalmente deixar de ser o patinho feio e tornar-se um processador competitivo, com um desempenho semelhante ao de um Athlon XP do mesmo índice.

A AMD por sua vez ainda está a alguns meses de iniciar a produção do Athlon Thoroughbred, o que vai deixá-la numa posição difícil. Enquanto a arquitetura do Pentium 4 Northwood tem potencial para chegar aos 3.5 GHz, como já demonstrado pela Intel, o core Palomino não terá fôlego para ir muito além do 2200+. Isso é excelente para quem vai deixar para trocar o processador no começo do ano que vem pois acuada a AMD vai acabar reagindo fazendo mais e mais cortes nos preços dos processadores. O Pentium 4 vai finalmente se igualar em desempenho, mas vai continuar sendo mais caro.

O consumo elétrico, que depois do custo e do desempenho é o quesito mais importante hoje em dia, já que determina o quanto será necessário gastar no cooler, a conta de luz no final do mês e o nível de ruído do micro (por causa do coolers e exaustores) novamente vai tender a favor do Pentium 4. Não é preciso repetir mais uma vez que o consumo elétrico vai cair em relação aos atuais graças à arquitetura de 0.13 mícron, mas a Intel ainda não divulgou qual será o consumo elétrico dos novos processadores. Considerando que o Pentium 4 atual de 2.0 GHz tem um consumo típico de 75.3 Watts (na versão soquete 478), um Pentium 4 Northwood de 2.2 GHz deve consumir em torno de 48 Watts. O Athlon XP que na versão 1900+ consome 60.7 Watts, vai consumir aproximadamente 70 Watts na versão 2200+, quase 30% a mais que o Pentium 4.

A Intel vai se manter um passo à frente da AMD, lançando novas versões de 2.33, 2.4 GHz etc. Conforme a AMD conseguir lançar novas versões do Athlon XP. Mas, a Intel só vai lançar as versões mais rápidas do Pentium 4 quando a AMD finalmente colocar no mercado o Athlon Thoroughbred, que finalmente vai poder competir em pé de igualdade.

A questão aqui visa simplesmente maximizar os lucros, a velha receita de aumentar a frequência do processador em pequenos degraus, mesmo tendo munição para ir muito mais longe, de forma a conseguir que os usuários atualizem seus sistemas o maior número de vezes possível.

No ramo dos processadores de baixo custo continuaremos com o Celeron e o Duron, mas ambos vão passar por alterações. O Celeron vai migrar do core Tualatin para o core do Pentium 4 atual. Teremos então o Pentium 4 Northwood com 512 KB de cache e bus de 533 MHz e o Celeron com 256 KB de cache e bus de 400 MHz; nada mais que um Pentium 4 castrado. O Duron por sua vez mudará para melhor, com o core Appaloosa, o Duron manterá a mesma arquitetura, mas será capaz de atingir frequências mais altas, próximo dos 2.0 GHz e consumirá ainda menos energia (por ciclo de clock) que os atuais. Especula-se que a AMD poderá aproveitar a arquitetura de 0.13 mícron para aumentar a quantidade de cache dos processadores: 512 KB para o Thoroughbred e 256 KB para o Appaloosa mas, como disse, não está nada confirmado. O Duron Appaloosa será lançado na segunda metade de 2002.

Outra que poderá fazer algum sucesso é a Via, caso consiga aproveitar o vácuo que a Intel deixará ao migrar o Celeron para a arquitetura do Pentium 4 para vender seus processadores C3, que passarão a ser a única alternativa de upgrade para quem tiver uma placa soquete 370.

Mas, um personagem muito menos previsível será o AMD Hammer, que também será lançado antes do final de 2002, com versões destinadas tanto aos servidores quanto ao mercado doméstico, com seu core de 64 bits mas um desempenho e preço de venda ainda imprevisíveis.




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