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Data: 22.03.2001  :. Em Reformulação!
Tipo: Curso
Assunto: Linux: Guia Foca GNU/Linux Nível Intermediário
Por: Gleydson Mazioli da Silva

 

   Capítulo 22: Configuração do Sistema

Este capítulo traz explicações sobre algumas configurações uteis que podem ser feitas no sistema. Neste documento assumimos que o kernel do seus sitema já possui suporte a página de código 860 (Portuguesa) e o conjunto de caracteres ISO-8859-1.

22.1 Acentuação

Permite que o GNU/Linux use a acentuação. A acentuação do modo texto é independente do modo gráfico; você pode configurar tanto um como o outro ou ambos. Para maiores detalhes veja Acentuação em modo Texto, Seção 22.1.1 e/ou Acentuação em modo gráfico, Seção 22.1.2.

Note que os mapas de teclado usados em modo texto são diferentes dos usados em modo gráfico. Geralmente os mapas de teclados para o modo gráfico tem uma letra X no nome.

22.1.1 Acentuação em modo Texto

Caso sua distribuição Debian esteja acentuando corretamente no modo texto você não precisará ler esta seção. Antes de prosseguir, verifique se você possui o pacote kbd ou console-dat instalado em seu sistema com o comando: dpkg -l kbd. Caso não existam, alguns programas de configuração e arquivos de fontes não estarão disponíveis.

Siga os passos abaixo para colocar e acentuação em funcionamento para o modo Texto na Debian (nas distribuições Debian 2.2 e superiores, somente é necessário definir a fonte padrão de tela, pois o mapa de teclados é selecionado em seu sistema de instalação):

Mapa de Teclados
Verifique se possui o arquivo de mapa de teclado correspondente ao seu modelo de teclado. Um mapa de teclado são arquivos com a extensão .map ou .kmap que fazem a tradução do código enviado pelo teclado para um caracter que será exibido na tela além de outras funções como o "Dead Keys" (pressionamento de uma tecla que não gera nenhum caracter mas afetará o próximo caracter gerado - como na acentuação, quando você aperta o ' não aparece nada mas após apertar a letra A um caracter Á é exibido. A combinação ' + A é um Dead Key e está definido no arquivo do mapa de teclados).

Os tipos de teclados mais usados aqui no Brasil são o padrão EUA e o ABNT2. O teclado padrão EUA é o modelo usado nos Estados Unidos e você precisará apertar '+C para gerar um Cedilha (ç), enquanto o teclado ABNT2 possui todas as teclas usadas no Brasil (semelhante a uma máquina de escrever) e o Cedilha possui sua própria tecla após a letra L. O mapa de teclados correspondente ao teclado padrão EUA é o br-latin1 enquanto o ABNT2 é o br-abnt2.

Se não tiver o arquivo correspondente ao seu teclado ou não encontra-lo, você poderá copia-lo de http://www.metainfo.org/focalinux/download/outros/Consolemaps_tar.gz, este arquivo possui 3 mapas de teclados para os 2 teclados Brasileiros mais usados e um de Portugal (raramente usado no Brasil). Descompacte o arquivo Consolemaps_tar.gz para um local em seu sistema (por exemplo: /tmp) com o comando: tar -xzvf Consolemaps_tar.gz. Note que este arquivo serve somente para a configuração no modo texto (console), veja a seção seguinte para configurar a acentuação no modo gráfico.

Configurando o Mapa de Teclados
Se o arquivo do mapa de teclados possuir a extensão .gz, descompacte-o com o comando: gzip -dc arquivo.gz>/etc/kbd/default.map ou gzip -d arquivo.gz para descompactar e depois o comando cp arquivo.kmap /etc/kbd/default.

Se o arquivo possuir a extensão .tar.gz, descompacte-o com o comando: tar -zxvf arquivo.tar.gz e depois use o comando cp arquivo.kmap /etc/kbd/default.

Faça isto substituindo arquivo.gz ou arquivo.tar.gz com o nome do arquivo compactado que contém o mapa de teclados.

Você pode manter o arquivo /etc/kbd/default.map.gz, pois este arquivo é lido pelos scripts de inicialização da Debian somente se o arquivo /etc/kbd/default.map não for encontrado.

Se desejar usar o comando loadkeys, você precisa copiar o mapa de teclados para um local conhecido no sistema, então copie o arquivo arquivo.kmap para /usr/share/keymaps/i386/qwerty (em sistemas Debian) ou algum outro local apropriado. Note que o arquivo pode ser compactado pelo gzip e copiado para /usr/share/keymaps/i386/qwerty que será lido sem problemas pelo sistema encarregado de configurar o teclado e acentuação.

Configurando a fonte de Tela
Descomente a linha CONSOLE_FONT=iso01.f16 e modifique-a para CONSOLE_FONT=lat1u-16.psf no arquivo /etc/kbd/config.

Esta linha diz ao sistema que fonte deve carregar para mostrar os caracteres na tela. A fonte de caracteres deve ser compatível com o idioma local, pois nem todas suportam caracteres acentuados. A fonte preferível para exibir os caracteres acentuados é a lat1u-16, o -16 no nome do arquivo significa o tamanho da fonte. As fontes de tela estão disponíveis no diretório /usr/share/consolefonts.

Neste ponto você pode verificar se o seu sistema esta reconhecendo corretamente a acentuação entrando no editor de textos ae e digitando: áãâà. Se todos os acentos apareceram corretamente, parabéns! você já passou pela parte mais difícil. Agora o próximo passo é a acentuação no Bash.

Acentuação no aviso de comando (bash)
Para acentuar no Bash (interpretador de comandos) é necessário alterar o arquivo /etc/inputrc e fazer as seguintes modificações:

  1. Descomente a linha: "#set convert-meta off" você faz isto apagando o símbolo "#" antes do nome.

    Um comentário faz com que o programa ignore linha(s) de comando. É muito útil para descrever o funcionamento de comandos/programas (você vai encontrar muito isso no sistema GNU/Linux, tudo é muito bem documentado).

  2. Inclua a seguinte linha no final do arquivo:

    set meta-flag on

  3. O conteúdo deste arquivo deve ficar assim:
    
         set convert-meta off
         set input-meta on
         set output-meta on
         set meta-flag on
    

  4. Digite exit ou pressione CTRL+D para fazer o logout. Entre novamente no sistema para que as alterações façam efeito.

Pronto! você já esta acentuando em modo texto!. Talvez seja necessário que faça alguma alteração em arquivos de configuração de outros programas para que possa acentuar corretamente (veja se existe algum arquivo com o nome correspondente ao programa no diretório /etc).

A distribuição Debian também traz o utilitário kbdconfig que também faz a configuração do mapa de teclados de forma interativa e gravando automaticamente o mapa de teclados em /etc/kbd/default.map.gz. Se preferir usar o kbdconfig ainda será necessário executar os passos acima para habilitação da fonte lat1u-16 e acentuação no bash.

22.1.2 Acentuação em modo gráfico

A acentuação no modo gráfico é feita de maneira simples:

Mapa de Teclados
Verifique se possui o arquivo de mapa de teclado para o modo gráfico que corresponde ao seu teclado. Um arquivo de mapa de teclado faz a tradução do código enviado pelo teclado para um caracter que será exibido na tela. Este tipo de arquivo é identificado com a extensão .map. Se não tiver este arquivo ou não encontra-lo, você pode copia-lo de http://www.metainfo.org/focalinux/download/outros/Xmodmaps_tar.gz, este arquivo possui 3 mapas de teclados para os 2 teclados Brasileiros mais usados e um de Portugal. Descompacte o arquivo Xmodmaps_tar.gz para um local em seu sistema (por exemplo: /tmp) com o comando: tar -xzvf Xmodmaps-tar.gz. Note que os mapas de teclado do Xmodmaps_tar.gz somente servem para a configuração no modo gráfico (X-Window).

Acentuação no X
Para acentuar no X você precisará descompactar e copiar o arquivo de mapa de teclado adequado ao seu computador em cima do arquivo /etc/X11/Xmodmap que já está em seu sistema. No meu caso, eu usei o seguinte comando (após descompactar o arquivo): "cp Xmodmap.us+ /etc/X11/Xmodmap". Agora você precisa reiniciar o servidor X para que as alterações façam efeito (ou digite xmodmap /etc/X11/Xmodmap no xterm para aplicar as alterações na seção atual).

Os passos descritos até aqui funcionarão para pessoas que iniciam o X pelo prompt (usando o comando startx, xinit, etc), veja o passo seguinte para acentuar pelo XDM.

Acentuação no XDM
Para acentuar no XDM, inclua as seguintes linhas no arquivo /etc/X11/xdm/Xsetup_0:

     sysmodmap=/etc/X11/Xmodmap
     
     if [ -r $sysmodmap ]; then
      xmodmap $sysmodmap
     fi

22.2 Número de Cores do ambiente gráfico

O número de cores do ambiente gráfico pode ser alterado facilmente. Por padrão, a maioria das instalações e distribuições GNU/Linux vem com apenas 16 cores (4 bits) porque é um número de cores suportado por qualquer placa de vídeo, sem modificações especiais.

A configuração de mais de 16 cores exige que você tenha escolhido o modelo correto de sua placa de vídeo (usando o programa xf86config). Por exemplo, minha placa de vídeo é uma Trident 9680 na tela de seleção do programa xf86config eu escolhi Trident 9680 Generic (código 671 no servidor X 3.3.6) que é o driver que permite o uso de todas as cores permitidas por esta placa e também usar os recursos de aceleração que ela oferece. Você pode utilizar o programa xviddetect para obter o modelo de sua placa de video e o servidor X correspodente a ela, basta digitar xviddetect na linha de comando.

Com uma configuração correta é possível atingir até 32 bits de cores (pocket pixel) no X. A configuração do X utiliza o número de bits ao invés do número de cores na sua configuração. Abaixo uma tabela comparativa:


       Bits      Número Max. Cores  Memória mínima requerida na Placa de Vídeo
     -------     -----------------  -----------------------------------------
      4 bits         16 cores                          256Kb
      8 bits        256 cores                          512Kb
     16 bits      32.384/65536 cores                   1MB
     24 bits      16 milhões de cores (pixel menor)    1MB
     32 bits      16 milhões de cores                  1MB

Lembre-se que a tabela acima leva em consideração a resolução de vídeo de 640x480. Caso utilizar uma resolução de 800x600, 1024x768 ou superior, os requerimentos de memória de vídeo para mostrar o número de cores da tabela acima serão maiores. Para mostrar 1024x768 - 16 milhões de cores serão necessários 2MB de memória de vídeo, por exemplo.

O uso de uma resolução de vídeo como 800x600 ou superior, também depende do monitor de vídeo. Nem todos os monitores VGA e SVGAs do mercado suportam resoluções acima de 640x480.

OBS: Se tiver escolha, prefir placas de vídeo independentes da placa mãe. Normalmente as placas de vídeo on-board usam parte da memória RAM como memória de vídeo (memória compartilhada) e isto diminui a performance de vídeo e a performance do sistema porque se você estiver usando 2MB de memória de vídeo, terá 2 MB a menos para executar seus programas. O preço destas placas geralmente diminui na proporção do desempenho que oferecem.

Uma boa escolha para uma melhor qualidade e maior velocidade é 16 bits. O motivo disto é que quanto maior a qualidade e a resolução, mais tempo será levado para os pixels serem atualizados no monitor. Veja abaixo como configurar o número de cores para quem esta iniciando o X-Window pelo modo texto e XDM.

22.2.1 Configurando o número de cores para quem inicia pelo prompt

Para quem inicia o X pelo modo texto é necessário usar o comando startx -- -bpp 8 no lugar de startx. Note que estou usando 256 cores como exemplo (veja a tabela acima), se quiser usar mais cores e sua placa de vídeo tiver memória suficiente, use 16, 24 ou 32 (lembre-se de ter configurado corretamente sua placa de vídeo com o xf86config ou XF86Setup).

Uma maneira mais prática de se fazer isto é incluir um alias no arquivo .bashrc em seu diretório: alias startx='startx -- -bpp 8'

Desta forma toda a vez que se digitar startx, será executado o comando da direita do sinal de igual.

OBS: Se alguma coisa der errado e a imagem aparecer distorcida ou simplesmente não aparecer, não se desespere! Pressione simultaneamente CTRL+ALT+BackSpace, esta é a combinação de teclas finaliza imediatamente o servidor X.

22.2.2 Configurando o número de cores para quem inicia pelo XDM

Para pessoas que entram no X pelo XDM é necessário modificar o arquivo /etc/X11/xdm/Xservers e alterar o final da linha colocando -bpp resolução. Por exemplo, a última linha de meu arquivo Xservers era:


     :0 local /usr/bin/X11/X vt7 
     
      eu a modifiquei para 
     
     :0 local /usr/bin/X11/X vt7 -bpp 16

Pronto, basta reiniciar o servidor X (usando CTRL+ALT+BackSpace) ou reiniciando através do arquivo /etc/init.d/xdm usando xdm restart e seu sistema passará a usar 65.000 cores de vídeo.

OBS: Lembre-se de salvar todos os seus arquivos antes de reiniciar o servidor X, pois todos os programas que estiverem abertos no sistema serão imediatamente fechados.

22.2.3 Ajustando o alinhamento da imagem no X e outras configurações

Após você ter criado o arquivo de configuração do X com o xf86config (modo texto) ou XF86Setup (modo gráfico), é possível que a configuração precise de um ajuste fino para o alinhamento correto da imagem no monitor. Muitos monitores modernos possuem teclas para esta função, mas desde que monitor esteja com sua imagem aparecendo corretamente em modo texto, o ajuste deverá ser feito no servidor X. Este ajuste é feito através do utilitário xvidtune.

Entre no modo gráfico como usuário root, abra o xterm e digite xvidtune uma tela aparecerá com um aviso sobre o uso do programa, clique em OK. Recomendo que ative o botão AUTO para que a tela vá se ajustando na medida que você mexe nos ajustes.

Para restaurar a configuração anterior, pressione o botão Restore (não faz efeito caso o botão Apply tenha sido pressionado). Clicando em Quit, você sai do xvidtune sem salvar a configuração. Quando estiver satisfeito com a sua configuração/alinhamento da imagem, clique em Apply, a configuração escolhida estará salva.

22.2.4 Sobre o número de cores para jogos que funcionam no X

A maioria dos jogos se recusam a funcionam com uma quantidade de cores maior do que 8 bits. Se você instalar algum jogo e ao tentar executa-lo simplesmente não acontecer nada ou mostrar uma mensagem de erro, modifique o número de cores para 8 bits, provavelmente o problema estará ai.

Lembre-se: Quanto mais cores usar e maior for sua resolução, mais lento ficará a velocidade de vídeo. Por este motivo alguns jogos se recusam a funcionar com mais de 8 bits de cores.


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Versão 4.70 - 6 novembro 2000
Gleydson Mazioli da Silva


 

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