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Data: 22.03.2001  :. Em Reformulação!
Tipo: Curso
Assunto: Linux: Guia Foca GNU/Linux Nível Intermediário
Por: Gleydson Mazioli da Silva

 

   Capítulo 5: Discos e Partições

Este capítulo traz explicações de como manipular discos rígidos e partições no sistema GNU/Linux e como acessar seus discos de CD-ROM e partições DOS, Windows 95/98 no GNU/Linux.

Também será ensinado como utilizar o programa mkfs.ext2 para criar um sistema de arquivos EXT2 (formatar o disco) e a ferramenta mkswap (para criar uma partição ou arquivo de memória virtual).

5.1 Partições

São divisões existentes no disco rígido que marcam onde começa onde termina um sistema de arquivos. Por causa destas divisões, nós podemos usar mais de um sistema operacional no mesmo computador (como o GNU/Linux, Windows e DOS), ou dividir o disco rígido em uma ou mais partes para ser usado por um único sistema operacional.

Para gravar os dados, o disco rígido deve ser primeiro particionado (usando o fdisk), escolher o tipo da partição (Linux Native, Linux Swap, etc) e depois aquela partição deve ser formatada com o mkfs.ext2 (veja a Partição EXT2 (Linux Native), Seção 5.3).

Após criada e formatada, a partição será identificada como um dispositivo no diretório /dev (veja a Identificação de discos e partições em sistemas Linux, Seção 5.8) . e deverá ser montada (Montando (acessando) uma partição de disco, Seção 5.9) para permitir seu uso no sistema.

Uma partição de disco não interfere em outras partições existentes, por este motivo é possível usar o Windows, GNU/Linux e qualquer outro sistema operacional no mesmo disco. Para escolher qual deles será inicializado, veja o Gerenciadores de Partida (boot loaders), Capítulo 6.

Para particionar (dividir) o disco rígido em uma ou mais partes é necessário o uso de um programa de particionamento. Os programas mais conhecidos para particionamento de discos no GNU/Linux são fdisk, cfdisk e o Disk Druid.

Lembre-se:

  • Quando se apaga uma partição, você estará apagando TODOS os arquivos existentes nela!
  • A partição do tipo Linux Native (Tipo 83) é a usada para armazenar arquivos no GNU/Linux. Para detalhes veja Partição EXT2 (Linux Native), Seção 5.3.
  • A partição do tipo Linux Swap (Tipo 82) é usada como memória virtual. Para detalhes veja a Partição Linux Swap (Memória Virtual), Seção 5.4.
  • Em sistemas novos, é comum encontrar o Windows instalado em uma partição que consome TODO o espaço do disco rígido. Uma solução para instalar o GNU/Linux é apagar a partição Windows e criar três com tamanhos menores (uma para o Windows, uma para o GNU/Linux e outra para a Memória Virtual do Linux (SWAP). Ou criar apenas 2 se você não quiser mais saber mais do Windows ;-)

    A outra é usar o programa FIPS para diminuir o tamanho da partição Windows (usando o espaço livre existente) e criar as 2 partições requeridas pelo GNU/Linux no espaço restante, sem apagar o Windows. Esta técnica também é chamada de Reparticionamento não destrutivo (e o outro obviamente Reparticionamento destrutivo). Caso decida usar o FIPS, pegue a versão 2.0 ou superior do programa, pois funciona nativamente com sistema de arquivos FAT32 (você o encontra no site de sua distribuição GNU/Linux).

Para mais detalhes sobre discos, partições ou como particionar seu disco, veja algum bom documento sobre particionamento (como a página de manual e documentação do fdisk, cfdisk ou Disk Druid).

5.2 Sistema de Arquivos

É criado durante a "formatação" da partição de disco (quando se usa o comando mkfs.ext2). Após a formatação toda a estrutura para leitura/gravação de arquivos e diretórios pelo sistema operacional estará pronta para ser usada. Normalmente este passo é feito durante a instalação de sua distribuição GNU/Linux.

Cada sistema de arquivos tem uma característica em particular mas seu propósito é o mesmo: Oferecer ao sistema operacional a estrutura necessária para ler/gravar os arquivos/diretórios.

Entre os sistemas de arquivos existentes posso citar:

  • Ext2 - Usado em partições Linux Nativas para o armazenamento de arquivos. É identificado pelo código 83. Seu tamanho deve ser o suficiente para acomodar todo os arquivos e programas que deseja instalar no GNU/Linux (você encontra isto no manual de sua distribuição). Para detalhes veja a Partição EXT2 (Linux Native), Seção 5.3.
  • Swap - Usado em partições Linux Swap para oferecer memória virtual ao sistema. Note que é altamente recomendado o uso de uma partição Swap no sistema (principalmente se você tiver menos que 16MB de memória RAM). Este tipo de partição é identificado pelo código 82. Para detalhes veja a Partição Linux Swap (Memória Virtual), Seção 5.4.
  • proc - Sistema de arquivos do kernel (veja a O sistema de Arquivos /proc, Seção 5.5).
  • FAT12 - Usado em disquetes no DOS
  • FAT16 - Usado no DOS e oferece suporte até discos de 2GB
  • FAT32 - Também usado no DOS e oferece suporte a discos de até 2 Terabytes

5.3 Partição EXT2 (Linux Native)

A partição EXT2 é o tipo usado para criar o sistema de arquivos Linux Native usado para armazenar o sistema de arquivos EXT2 (após a formatação) e permitir o armazenamento de dados. Para detalhes de como criar uma partição EXT2 veja a Criando um sistema de arquivos EXT2 em uma partição, Seção 5.3.1.

Este tipo de partição é normalmente identificado pelo código 83 nos programas de particionamento de disco. Note que também é possível criar um sistema de arquivos EXT2 em um arquivo (ao invés de uma partição) que poderá ser montado e acessado normalmente pelo sistema de arquivos (veja a Criando um sistema de arquivos EXT2 em um arquivo, Seção 5.3.2.

Logo que foi inventado, o GNU/Linux utilizava o sistema de arquivos Minix (e consequentemente uma partição Minix) para o armazenamento de arquivos. Com a evolução do desenvolvimento, foi criado o padrão EXT (Extended Filesystem) e logo evoluiu para o EXT2 (Second Extended Filesystem) que é o usado hoje em dia.

Você deve escolher este tipo de partição para armazenar seus arquivos, é o padrão atualmente, é o mais rápido, não se fragmenta tão facilmente pois permite a localização do melhor lugar onde o arquivo se encaixa no disco, etc. Isto é útil para grandes ambientes multiusuário onde várias pessoas gravam/apagam arquivos o tempo todo.

5.3.1 Criando um sistema de arquivos EXT2 em uma partição

O utilitário usado para formatar uma partição EXT2 é o mkfs.ext2. Após terminar este passo, seu sistema de arquivos EXT2 estará pronto para ser usado.

Após particionar seu disco rígido e criar uma (ou várias) partições EXT2, use o comando:

mkfs.ext2 /dev/hda?

Onde a "?" em hda? significa o número da partição que será formatada. A identificação da partição é mostrada durante o particionamento do disco, anote se for o caso. hda é o primeiro disco rígido IDE, hdb é o segundo disco rígido IDE. Discos SCSI são identificados por sda?, sdb?, etc. Para detalhes sobre a identificação de discos, veja a Identificação de discos e partições em sistemas Linux, Seção 5.8.

Algumas opções são úteis ao mkfs.ext2:

  • -c Procura blocos danificados na partição antes de criar o sistema de arquivos.
  • -L NOME Coloca um nome (label) no sistema de arquivos.
  • -b NUM Define o tamanho do bloco, em bytes.

Agora para acessar a partição deverá ser usado o comando: mount /dev/hda? /mnt -t ext2

Para mais detalhes veja a Montando (acessando) uma partição de disco, Seção 5.9.

Note que é possível criar um sistema de arquivos no disco rígido sem criar uma partição usando /dev/hda, /dev/hdb, etc. EVITE FAZER ISSO! Como não estará criando uma partição, o disco estará divido de maneira incorreta, você não poderá apagar o sistema de arquivos completamente do disco caso precise (lembre-se que você não criou uma partição), e a partição possui uma assinatura apropriada que identifica o sistema de arquivos.

5.3.2 Criando um sistema de arquivos EXT2 em um arquivo

É possível criar um sistema de arquivos EXT2 em um arquivo que poderá ser montado e acessado normalmente como se fosse uma partição normal. Isto é possível por causa do recurso loop oferecido pelo kernel do GNU/Linux. Os dispositivos de loop estão disponíveis no diretório /dev com o nome loop? (normalmente estão disponíveis 8 dispositivos de loop).

Isto é possível usando o comando dd e o mkfs.ext2. Veja passo a passo como criar o sistema de arquivos EXT2 em um arquivo:

  1. Use o comando dd if=/dev/zero of=/tmp/arquivo-ext2 bs=1024 count=10000 para criar um arquivo arquivo-ext2 vazio de 10Mb de tamanho em /tmp. Você pode modificar os parâmetros de of para escolher onde o arquivo será criado, o tamanho do arquivo poderá ser modificado através de count

  2. Formate o arquivo com mkfs.ext2 /tmp/arquivo-ext2. Ele primeiro dirá que o arquivo arquivo-ext2 não é um dispositivo de bloco especial (uma particão de disco) e perguntará se deve continuar, responda com y.

    O sistema de arquivos EXT2 será criado em /tmp/arquivo-ext2 e estará pronto para ser usado.

  3. Monte o arquivo arquivo-ext2 com o comando: mount /tmp/arquivo-ext2 /mnt -o loop=/dev/loop1. Note que foi usado o parâmetro -o loop para dizer ao comando mount para usar os recursos de loop do kernel para montar o arquivo.

  4. Confira se o sistema de arquivos EXT2 em arquivo-ext2 foi realmente montado no sistema de arquivos digitando df -T. Para detalhes, veja a df, Seção 10.3.

Pronto! o que você gravar para /mnt será gravado dentro do arquivo /tmp/arquivo-ext2. Como foi criado um sistema de arquivos EXT2 em arquivo-ext2, você poderá usar todos os recursos da partição EXT2 normal, como permissões de arquivos e diretórios, links simbólicos, etc.

O uso do dispositivo de loop permite que o dispositivo /dev/loop1 seja associado ao arquivo /arquivo-ext2 e assim permitir sua montagem e uso no sistema.

  • Você poderá usar apenas -o loop com o comando mount, assim o kernel gerenciará automáticamente os dispositivos de loop.
  • Caso faça isto manualmente, lembre-se de usar dispositivos /dev/loop? diferentes para cada arquivo que montar no sistema. Pois cada um faz referência a um único arquivo.

5.3.3 Partição EXT2 ou Arquivo?

Criar uma partição EXT2 ou um arquivo usando o loop? Abaixo estão algumas considerações:

  • A partição EXT2 é o método recomendado para a instalação do GNU/Linux.
  • O desempenho da partição EXT2 é bem melhor se comparado ao arquivo porque é acessada diretamente pelo Kernel (SO).
  • O arquivo EXT2 é útil para guardarmos dados confidenciais em disquetes ou em qualquer outro lugar no sistema. Você pode perfeitamente gravar seus arquivos confidenciais em um arquivo chamado libBlaBlaBla-2.0 no diretório /lib e ninguém nunca suspeitará deste arquivo (acho que não...). Também é possível criptografa-lo para que mesmo alguém descobrindo que aquilo não é uma lib, não poder abri-lo a não ser que tenha a senha (isto é coberto no documento Loopback-encripted-filesystem.HOWTO).
  • O uso do arquivo EXT2 é útil quando você está perdendo espaço na sua partição EXT2 e não quer re-particionar seu disco pois teria que ser feita uma re-instalação completa e tem muito espaço em um partição de outro SO (como o Windows).

    Você poderia fácilmente copiar o conteúdo de /var, por exemplo, para o arquivo EXT2 ext2-l criado no diretório Raíz do Windows, apagar o conteúdo de /var (liberando muito espaço em disco) e então montar ext2-l como /var. A partir de agora, tudo o que for gravado em /var será na realidade gravado no arquivo ext2-l.

    Para o sistema acessar o arquivo, deve passar pelo sistema de arquivos loop e FAT32, isto causa um desempenho menor.

5.4 Partição Linux Swap (Memória Virtual)

Este tipo de partição é usado para oferecer o suporte a memória virtual ao GNU/Linux em adição a memória RAM instalada no sistema. Este tipo de partição é identificado pelo tipo 82 nos programas de particionamento de disco para Linux. Para detalhes de como criar uma partição Linux Swap veja a Criando sistema de arquivos Swap em uma partição, Seção 5.4.1.

Somente os dados na memória RAM são processados pelo processador, por ser mais rápida. Desta forma quando você está executando um programa e a memória RAM começa a encher, o GNU/Linux move automaticamente os dados que não estão sendo usados para a partição Swap e libera a memória RAM para a continuar carregando os dados necessários pelo. Quando os dados movidos para a partição Swap são solicitados, o GNU/Linux move os dados da partição Swap para a Memória. Por este motivo a partição Swap também é chamada de Troca ou memória virtual.

A velocidade em que os dados são movidos da memória RAM para a partição é muito alta. Note também que é possível criar o sistema de arquivos Swap em um arquivo ao invés de uma partição (veja a Criando um sistema de arquivos Swap em um arquivo, Seção 5.4.2).

5.4.1 Criando sistema de arquivos Swap em uma partição

O programa usado para formatar uma partição Swap é o mkswap. Seu uso é simples:

mkswap /dev/hda?

Novamente veja a Identificação de discos e partições em sistemas Linux, Seção 5.8 caso não souber identificar seus discos e partições. O nome do dispositivo da partição Swap pode ser visualizado através de seu programa de particionamento, você pode usar o comando fdisk -l /dev/hda para listar as partições no primeiro disco rígido e assim verificar qual dispositivo corresponde a partição Swap.

A opção -c também pode ser usada com o mkswap para checar se existem agrupamentos danificados na partição.

Com a partição Swap formatada, use o comando: swapon /dev/hda? para ativar a partição Swap (lembre-se de substituir ? pelo número de sua partição Swap).

Observações:

Os Kernels do GNU/Linux 2.0.xx e anteriores somente suportam partições Swap de até 128MB. Caso precise de mais que isso, crie mais partições Swap ou atualize seu sistema para trabalhar com o kernel 2.2.xx

Se utilizar mais que 1 partição Swap, pode ser útil o uso da opção -p NUM que especifica a prioridade em que a partição Swap será usada. Pode ser usado um valor de prioridade entre 0 e 32767, partições com número maior serão usadas primeiro, sendo que na montagem automática através de "mount -a" podem ser designados números negativos.

Procure usar o número maior para partições mais rápidas (elas serão acessadas primeiro) e números maiores para partições mais lentas. Caso precise desativar a partição Swap, use o comando: swapoff /dev/hda?.

5.4.2 Criando um sistema de arquivos Swap em um arquivo

Também é possível criar um arquivo que poderá ser usado como memória virtual. Veja passo a passo como fazer isso:

  1. Use o comando dd if=/dev/zero of=/tmp/troca bs=1024 count=16000 para criar um arquivo chamado troca vazio de 16Mb de tamanho em /tmp. Você pode modificar os parâmetros de of para escolher onde o arquivo será criado, o tamanho do arquivo poderá ser modificado através de count.

  2. Execute mkswap /tmp/troca para formatar o arquivo. Após concluir este passo, o sistema de arquivos Swap estará criado e pronto para ser usado.

  3. Ative o arquivo de troca com o comando swapon /tmp/troca.

  4. Confira se o tamanho da memória virtual foi modificado digitando cat /proc/meminfo ou free.

Observações:

  • Podem ser usadas partições de troca e arquivos de troca juntos, sem problemas.
  • Caso seu sistema já tenha uma partição de Swap, é recomendável deixar o acesso ao arquivo Swap com uma prioridade menor (usando a opção -p NUM com o comando swapon).

5.4.3 Partição Swap ou Arquivo?

Criar uma partição de Troca ou um arquivo de troca? Abaixo algumas vantagens e desvantagens:

  • A partição Swap é mais rápida que o arquivo Swap pois é acessada diretamente pelo Kernel. Se o seu computador tem pouca memória (menos que 32Mb) ou você tem certeza que o sistema recorre frequentemente a memória virtual para executar seus programas, é recomendável usar uma partição Swap.
  • O arquivo de troca permite que você crie somente uma partição Linux Native e crie o arquivo de troca na partição EXT2.
  • Você pode alterar o tamanho do arquivo de troca facilmente apagando e criando um novo arquivo como descrito na Criando um sistema de arquivos Swap em um arquivo, Seção 5.4.2.
  • É possível criar um arquivo de troca em outros tipos de partições como FAT16, FAT32, etc.
  • O arquivo de troca estará disponível somente após o sistema de arquivos que o armazena (ext2, fat32, etc) estar montado. Isto é um problema para sistemas com pouca memória que dependem do arquivo de troca desde sua inicialização.

5.5 O sistema de Arquivos /proc

É o sistema de arquivos do Kernel do GNU/Linux. Ele oferece um método de ler, gravar e modificar dinamicamente os parâmetros do kernel, muito útil para curiosos (como eu) e programas de configuração. A modificação dos arquivos do diretório /proc é o método mais usado para modificar a configuração do sistema e muitos programas também dependem deste diretório para funcionar.

Nele você tem todo o controle do que o seus sistema operacional está fazendo, a configuração dos hardwares, interrupções, sistema de arquivos montado, execução de programas, memória do sistema, rede, etc.

Agora entre no diretório /proc digite ls e veja a quantidade de arquivos e diretórios que ele possui, dê uma passeada por eles. Abaixo a descrição de alguns deles (todos podem ser visualizados pelo comando cat):

  • Diretórios com números - Estes identificam os parâmetros de um processo em execução. Por exemplo, se o PID (identificação do processo) do inetd for 115, você pode entrar no diretório 115 e verificar as opções usadas para execução deste programa através de cada arquivos existente dentro do diretório. Alguns são:
    • cmdline - O que foi digitado para iniciar o processo (pode também ter sido iniciado através de um programa ou pelo kernel).
    • environ - Variáveis de Ambiente existentes no momento da execução do processo.
    • status - Dados sobre a execução do Processo (PID, status da execução do programa, memória consumida, memória executável, UID, GID, etc).
  • apm - Dados sobre o gerenciamento de energia
  • cmdline - Linha de comando usada para inicializar o Kernel GNU/Linux. Os parâmetros são passados através do programa de inicialização, como o LILO, LOADLIN, SYSLINUX.
  • cpuinfo - Detalhes sobre a CPU do sistema
  • devices - Dispositivos usados no sistema
  • dma - Canais de DMA usados por dispositivos
  • filesystems - Sistemas de arquivos em uso atualmente
  • interrupts - Interrupções usadas por dispositivos
  • ioports - Portas de Entrada e Saída usadas pelos dispositivos do sistema
  • kcore - Este arquivo corresponde a toda a memória RAM em seu sistema. Seu tamanho é correspondente a memória RAM do micro
  • kmsg - Permite visualizar mensagens do Kernel (use o comando cat < kmsg para visualiza-lo e pressione CTRL+C para cancelar
  • loadavg - Média de Carga do sistema
  • meminfo - Dados de utilização da memória do sistema
  • misc - Outras configurações
  • modules - Módulos atualmente carregados no kernel
  • mounts - Sistemas de Arquivos atualmente montados
  • pci - Detalhes sobre dispositivos PCI do sistema
  • rtc - Relógio em Tempo real do sistema
  • uptime - Tempo de execução do sistema
  • version - Versão atual do Kernel, programa usado na compilação, etc
  • Diretório net - Dados sobre a rede do sistema
  • Diretório sys - Dados sobre outras áreas do sistema
  • Diretório scsi - Detalhes sobre dispositivos SCSI do sistema

Note que o diretório proc e os arquivos existentes dentro dele estão localizados no diretório raiz (/), mas não ocupa nenhum espaço no disco rígido.

5.6 Formatando disquetes

As subseções seguintes explicarão maneiras de formatar seus disquetes para serem usados no GNU/Linux e DOS/Windows.

5.6.1 Formatando disquetes para serem usados no Linux

Para formatar disquetes para serem usados no GNU/Linux use o comando:

mkfs.ext2 [-c] [/dev/fd0]

Em alguns sistemas você deve usar mke2fs no lugar de mkfs.ext2. A opção -c faz com que o mkfs.ext2 procure por blocos danificados no disquete e /dev/fd0 especifica a primeira unidade de disquetes para ser formatada (equivalente a A: no DOS). Mude para /dev/fd1 para formatar um disquete da segunda unidade.

OBS: Este comando cria um sistema de arquivos ext2 no disquete que é nativo do GNU/Linux e permite usar características como permissões de acesso e outras. Isto também faz com que o disquete NÃO possa ser lido pelo DOS/Windows. Para formatar um disquete no GNU/Linux usando o FAT12 (compatível com o DOS/Windows) veja a próxima seção.

Exemplo: mkfs.ext2 -c /dev/fd0

5.6.2 Formatando disquetes compatíveis com o DOS/Windows

A formatação de disquetes DOS no GNU/Linux é feita usando o comando superformat que é geralmente incluido no pacote mtools. O superformat formata (cria um sistema de arquivos) um disquete para ser usado no DOS e também possui opções avançadas para a manipulação da unidade, formatação de intervalos de cilindros específicos, formatação de discos em alta capacidade e verificação do disquete.

superformat [opções] [dispositivo]

dispositivo
Unidade de disquete que será formatada. Normalmente /dev/fd0 ou /dev/fd1 especificando respectivamente a primeira e segunda unidade de disquetes.
opções
-v [num]
Especifica o nível de detalhes que serão exibidos durante a formatação do disquete. O nível 1 especifica um ponto mostrado na tela para cada trilha formatada. Veja a página de manual do superformat para detalhes
-superverify
Verifica primeiro se a trilha pode ser lida antes de formata-la. Este é o padrão.
--dosverify, -B
Verifica o disquete usando o utilitário mbadblocks. Usando esta opção, as trilhas defeituosas encontradas serão automaticamente marcadas para não serem utilizadas.
--verify_later, -V
Verifica todo o disquete no final da formatação.
--noverify, -f
Não faz verificação de leitura
-b [trilha]
Especifica a trilha inicial que será formatada. O padrão é 0.
-e [trilha]
Especifica a trilha final que será formatada.

Na primeira vez que o superformat é executado, ele verifica a velocidade de rotação da unidade e a comunicação com a placa controladora, pois os discos de alta densidade são sensíveis a rotação da unidade. Após o teste inicial ele recomendará adicionar uma linha no arquivo /etc/driveprm como forma de evitar que este teste seja sempre executado. OBS: Esta linha é calculada de acordo com a rotação de usa unidade de disquetes, transferência de dados e comunicação com a placa controladora de disquete. Desta forma ela varia de computador para computador Note que não é necessário montar a unidade de disquetes para formata-la.

Segue abaixo exemplos de como formatar seus disquetes com o superformat:

  • superformat /dev/fd0 - Formata o disquete na primeira unidade de disquetes usando os valores padrões.
  • superformat /dev/fd0 dd - Faz a mesma coisa que o acima, mas assume que o disquete é de Dupla Densidade (720Kb).
  • superformat -v 1 /dev/fd0 - Faz a formatação da primeira unidade de disquetes (/dev/fd0) e especifica o nível de detalhes para 1, exibindo um ponto após cada trilha formatada.

5.6.3 Programas de Formatação Gráficos

Além de programas de formatação em modo texto, existem outros para ambiente gráfico (X11) que permitem fazer a mesma tarefa.

Entre os diversos programas destaco o gfloppy que além de permitir selecionar se o disquete será formatado para o GNU/Linux (ext2) ou DOS (FAT12), permite selecionar a capacidade da unidade de disquetes e formatação rápida do disco.

5.7 Pontos de Montagem

O GNU/Linux acessa as partições existente em seus discos rígidos e disquetes através de diretórios. Os diretórios que são usados para acessar (montar) partições são chamados de Pontos de Montagem. Para detalhes sobre montagem de partições, veja a Montando (acessando) uma partição de disco, Seção 5.9.

No DOS cada letra de unidade (C:, D:, E:) identifica uma partição de disco, no GNU/Linux os pontos de montagem fazem parte da grande estrutura do sistema de arquivos raiz.

Existem muitas vantagens de se usar pontos de montagem ao invés de unidade de disco para identificar partições (método usado no DOS):

  • Você pode montar a partição no diretório que quiser.
  • Em caso de um sistema de arquivos cheio, você pode copiar o conteúdo de um grande diretório para um disco separado, apagar o conteúdo do diretório original e montar o disco onde foram copiados os arquivos naquele local.
  • O uso de pontos de montagem torna o gerenciamento mais flexível.
  • A adição de novas partições ou substituição de discos rígidos não afeta a ordem de identificação dos discos e pontos de montagem (como não acontece no DOS).

5.8 Identificação de discos e partições em sistemas Linux

No GNU/Linux, os dispositivos existentes em seu computador (como discos rígidos, disquetes, tela, portas de impressora, modem, etc) são identificados por um arquivo referente a este dispositivo no diretório /dev.

A identificação de discos rígidos no GNU/Linux é feita da seguinte forma:


     /dev/hda1
     |    | ||
     |    | ||_Número que identifica o número da partição no disco rígido
     |    | |
     |    | |_Letra que identifica o disco rígido (a=primeiro, b=segundo, etc...)
     |    |
     |    |_Sigla que identifica o tipo do disco rígido (hd=ide, sd=SCSI, xd=XT).
     |
     |_Diretório onde são armazenados os dispositivos existentes no sistema.

Abaixo algumas identificações de discos e partições em sistemas Linux:

  • /dev/fd0 - Primeira unidade de disquetes
  • /dev/fd1 - Segunda unidade de disquetes
  • /dev/hda - Primeiro disco rígido na primeira controladora IDE do micro (primary master)
  • /dev/hda1 - Primeira partição do primeiro disco rígido IDE.
  • /dev/hdb - Segundo disco rígido na primeira controladora IDE do micro (primary slave)
  • /dev/hdb1 - Primeira partição do segundo disco rígido IDE
  • /dev/sda - Primeiro disco rígido na primeira controladora SCSI
  • /dev/sda1 - Primeira partição do primeiro disco rígido SCSI
  • /dev/sdb - Segundo disco rígido na primeira controladora SCSI
  • /dev/sdb1 - Primeira partição do segundo disco rígido SCSI
  • /dev/sr0 - Primeiro CD-ROM SCSI
  • /dev/sr1 - Segundo CD-ROM SCSI
  • /dev/xda - Primeiro disco rígido XT
  • /dev/xdb - Segundo disco rígido XT

As letras de identificação de discos rígidos podem ir além de hdb, em meu micro, por exemplo, a unidade de CD-ROM está localizada em /dev/hdg (Primeiro disco - quarta controladora IDE)

É importante entender como os discos e partições são identificados no sistema, pois será necessário usar os parâmetros corretos para monta-los.

5.9 Montando (acessando) uma partição de disco

Você pode acessar uma partição de disco usando o comando mount.

mount [dispositivo] [ponto de montagem] [opções]

Onde:

dispositivo
Identificação da unidade de disco/partição que deseja acessar (como /dev/hda1 (disco rígido) ou /dev/fd0 (primeira unidade de disquetes).
ponto de montagem
Diretório de onde a unidade de disco/partição será acessado. O diretório deve estar vazio para montagem de um sistema de arquivo. Normalmente é usado o diretório /mnt para armazenamento de pontos de montagem temporários
-t [tipo]
Tipo do sistema de arquivos usado pelo dispositivo. São aceitos os sistemas de arquivos:
  • ext2 - Para partições GNU/Linux.
  • vfat - Para partições Windows 95 que utilizam nomes extensos de arquivos e diretórios.
  • msdos - Para partições DOS normais.
  • iso9660 - Para montar unidades de CD-ROM. É o padrão.
  • umsdos - Para montar uma partição DOS com recursos de partições EXT2, como permissões de acesso, links, etc.

Para mais detalhes sobre opções usadas com cada sistema de arquivos, veja a página de manual mount.

-r
Caso for especificada, monta a partição somente para leitura.
-w
Caso for especificada, monta a partição como leitura/gravação. É o padrão.

Existem muitas outras opções que podem ser usadas com o comando mount, mas aqui procurei somente mostrar o básico para "montar" seus discos e partições no GNU/Linux (para mais opções, veja a página de manual do mount). Caso você digitar mount sem parâmetros, serão mostrados os sistemas de arquivos atualmente montados no sistema. Esta mesma listagem pode ser vista em /etc/mtab.

É necessário permissões de root para montar partições, a não ser que tenha especificado a opção user no arquivo /etc/fstab (veja a fstab, Seção 5.9.1).

Exemplo de Montagem:

  • Montar uma partição Windows (vfat)em /dev/hda1 em /mnt somente para leitura: mount /dev/hda1 /mnt -r -t ext2
  • Montar a primeira unidade de disquetes /dev/fd0 em /floppy: mount /dev/fd0 /floppy -t vfat
  • Montar uma partição DOS localizada em um segundo disco rígido /dev/hdb1 em /mnt:mount /dev/hdb1 /mnt -t msdos.

5.9.1 fstab

O arquivo /etc/fstab permite que as partições do sistema sejam montadas facilmente especificando somente o dispositivo ou o ponto de montagem. Este arquivo contém parâmetros sobre as partições que são lidos pelo comando mount. Cada linha deste arquivo contém a partição que desejamos montar, o ponto de montagem, o sistema de arquivos usado pela partição e outras opções. fstab tem a seguinte forma:


     Sistema_de_arquivos Ponto_de_Montagem Tipo    Opcoes           dump ordem
     /dev/hda1           /                 ext2    defaults           0    1
     /dev/hda2           /boot             ext2    defaults           0    2
     /dev/hda2           /dos              msdos   defaults,noauto,rw 0    0
     /dev/hdg            /cdrom            iso9660 defaults,noauto    0    0

Onde:

Sistema de Arquivos
Partição que deseja montar.
Ponto de montagem
Diretório do GNU/Linux onde a partição montada será acessada.
Tipo
Tipo de sistema de arquivos usado na partição que será montada. Para partições GNU/Linux use ext2, para partições DOS (sem nomes extensos de arquivos) use msdos, para partições Win 95 (com suporte a nomes extensos de arquivos) use vfat, para unidades de CD-ROM use iso9660.
Opções
Especifica as opções usadas com o sistema de arquivos:
  • defaults - Utiliza valores padrões de montagem
  • noauto - Não monta os sistemas de arquivos durante a inicialização (útil para CD-ROMS e disquetes)
  • ro - Monta como somente leitura
  • user - Permite que usuários montem o sistema de arquivos (não recomendado por motivos de segurança)
  • sync é recomendado para uso com discos removiveis (disquetes, zip drives, etc) para que os dados sejam gravados imediatamente na unidade (caso não seja usada, você deve usar o comando sync, Seção 10.22 antes de retirar o disquete da unidade.
Ordem
Define a ordem que os sistemas de arquivos serão verificados na inicialização do sistema. Se usar 0, o sistema de arquivos não é verificado. O sistema de arquivos raíz que deverá ser verificado primeiro é o raíz "/" (a não ser que você tenha um sistema de arquivos de outro tipo que não é montado dentro do diretório raíz e possui seu suporte embutido no kernel) .

Após configurar o /etc/fstab, basta digitar o comando mount /dev/hdg ou mount /cdrom para que a unidade de CD-ROM seja montada. Você deve ter notado que não é necessário especificar o sistema de arquivos da partição pois o mount verificará se ele já existe no /etc/fstab e caso existir, usará as opções especificadas neste arquivo. Para maiores detalhes veja as páginas de manual fstab e mount.

5.10 Desmontando uma partição de disco

Para desmontar um sistema de arquivos montado com o comando mount, use o comando umount. Você deve ter permissões de root para desmontar uma partição.

umount [dispositivo/ponto de montagem]

Você pode tanto usar umount /dev/hda1 como umount /mnt para desmontar um sistema de arquivos /dev/hda1 montado em /mnt.


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